
O dia amanheceu com um despertar calmo e tranquilo, trazendo até mim uma enorme vontade de confidenciar-te aquilo que estava a sentir naquele momento. Quis dizer-te que te amo, como gosto de ti, que te adoro e infinitas palavras que não conseguiriam descrever na realidade este sentimento que guardo dentro de mim. Talvez tenha sido o resultado de um sonho que acabara de me abandonar, mas que deixou em mim um sorriso no rosto, misturado com uma profunda tristeza por entender que tudo não passava de um sonho e que daí em diante, tudo seria igual. No sonho, tive o privilégio de beijar o teu rosto, abraçar-te e sentir do teu corpo uma reciprocidade, manifestada com gestos de carinho. Foi tudo tão real, tão prazeroso que se dependesse de mim, ficaria eternamente naquele sono profundo. Recordo ainda do teu sorriso, dos teus dedos que suavemente deslizavam no meu rosto, do braço que se estendia pelas minhas costas e aproximava o meu corpo do teu. Entretanto, saíste ao pé de mim e numa noite com o céu estrelado, fui pedindo às estrelas cadentes o teu regresso, mas uma vez mais, tudo não passou de um simples sonho. Os dias que se acumulam em meses, que por sua vez se transformam em anos, residem cá dentro as recordações de muitos momentos vividos a dois e que hoje apenas se manifestam em retratos que se vão desgastando com o tempo. Neles, manifestam-se duas vidas que outrora se uniram numa só e que subitamente decidem trilhar caminhos diferentes, levando a uma separação que em mim ainda dói. Ainda sinto a tua falta e mais falta sinto de mim, daquilo que consegui ser diante da tua presença serena na minha vida. Nunca mais voltei a ser Eu, nem Tu voltaste a ser a mesma, pela razão do amor em épocas passageiras, virou mágoa, revolta e alguma raiva entre nós. Fomos tão pouco, lutámos ainda menos por uma razão que podia ser a nossa, a razão das nossas vidas. E é isso que ainda hoje me lamento. Baixei os braços rapidamente na esperança que o amanhã viesse modificar os contornos e unir de novo os nossos caminhos, para que juntos pudéssemos voltar a trilha-los. Consumimos o nós que nunca deixou de ser, nossa personalidade mutua que se completava apesar da imperfeições. Apesar de perdemos o foco, o brilho cintilante do teu olhar ainda me pertencia, como aquela estrela perdida na vasta escuridão. Escuridão aquele que se consumou quando deixaste o meu mundo, o nosso mundo. Estonteantemente que me cobria as vistas e me fazia tropeçar em meio a tantos problemas, caindo assim na perdição. Quem me dera ter o dom do esquecimento e pudesse assim tirastes de vez da minha vida, mas não tenho este dom, só o dom do amor, que não considero como dom, pois sem ti passa a ser apenas um sofrimento eterno. Sofrimento este que já não consigo conter apenas dentro de mim, como também não consigo conter o que sinto por ti, que por hora transborda em salinas lágrimas que me beijam o rosto, essas que não consigo mais esconder, minhas olheiras mostram o quanto as noites vem sendo tumultuadas e sem fim. Como deixei escapar o motivo mais claro de meus sorrisos, o meu caminho sem retornos para felicidades, mas o trem já passou talvez eu de sorte que ele quebre e eu o alcance. Por mais absurdamente que eu negue o fato de eu ser totalmente subordinado ao teu amor, transparece quando te vejo, mesmo que seja em um sonho ou em miragem que minha cabeça cria de ti. Quanto me doí ver o tempo passar e te ver cada vez mais longe, entristece-me ver que nem por um segundo olhastes para trás, ou me esperasse. Mas ainda tenho uma vasta fé de que teu amor ainda me pertence e que tu ainda escuta a nossa musica em meio aos prantos. Faria qualquer loucura para te provar pela ultima vez que és minha promessa de felicidade e que eu te amo. (oh-suicide + ultimo-cigarro)





