
Era um lugar recheado de problemas, magoas, pinceladas de alegria, posters, heineken e rock n’ roll. Não era um bar muito bem localizado, mas tinha seus clientes fieis e claro tinha eu, uma reles garçonete que trabalha as tardes. Eu particularmente gostava daquele lugar, não sei o que me agradava mais as musicas ou a decoração underground, talvez o ambiente como um todo, eu realmente gostava de trabalhar naquele lugar. Nos finais de semana ficava até tarde, mas valia a pena, conhecia tantas pessoas que compartilhavam os mesmos gostos, isso me fazia muito bem, mas naquele sábado algo me chamou atenção ou melhor alguém. Era um rapaz, com uma camiseta do Ramones e o cabelo bagunçado, ele se sentou no fundo do bar de frente para o balcão, a tua feição estava estranha, uma mistura de magoa e felicidade. Fui atende-lo como teria de fazer com qualquer cliente, ele pediu só uma cerveja, que logo foi se multiplicando em 2, 3, 4, 10. Na rádio tocava one do metallica que estava no final, logo iam começar as clássicas, realmente valia a pena trabalhar lá, começou com love hurts do nazareth, “love is just a lie made to make you blue, love hurts, oh, oh love hurts” vi ele cantar junto com a música enquanto apoiava a mão na cabeça. Acho que ficou um pouco claro o que estava acontecendo, ele só pediu mais uma cerveja, logo depois a conta. Só que ele começou a frequentar o bar todos os dias e no mesmo horário, talvez fosse só mais alguém tentando esquecer os problemas. Eu nunca fui muito simpática, mas fazia o máximo para parecer alguém legal as vezes. Mais uma vez fui atende-lo, com um sorriso cansado no rosto, ele pediu o de sempre e me retribui-o o sorriso. Estava conversando com um outro garçom, enquanto não tinha ninguém para atender, contava para ele sobre as tantas vezes que finalizei o guitar hero e como estava difícil o resident evil. Logo ele me abandonou e foi fumar um cigarro lá fora, o tal rapaz me observava um tanto quanto pasmo. Me chamou e perguntou:
- Então a senhorita joga video-game?
- Ah, eu tento né. -sorri tímida.
- Oh, o que mais curte jogar?
- Além do guitar hero e o resident? As vezes um gta, futebol, mario, sonic e outros ai. - respondi enquanto colocava a franja atrás da orelha.
- Qualquer dia tu pode ir na minha casa jogar, vamos ver se tu manda bem. -ele sorriu.
- Então você convida estranhos para jogar na tua casa? E se eu for uma maniaca? Ou uma serial killer? -encarei ele.
- Claro e você falaria isso abertamente. Mas acho que vou correr esse risco. Então, depois do teu expediente?
- Ok né, me espera ai.
Terminei de fazer o que tinha lá, limpar algumas mesmas e empilhar as cadeiras, peguei meu casaco e fui em direção ao rapaz.
- Vamos? Mas antes qual teu nome?
- Ah, esqueci esse detalhe. Bruno, prazer e o teu?
- Daiani, prazer também. A proposito, bonita camiseta do Sex Pistols. -sorri.
- Também curti tua camiseta preta e teu all star sujo. -soltou uma risada tímida.
- Então onde você mora?
- Não muito longe, ali na esquina naquele prédio.
- Posso fazer uma pergunta? - joguei o cabelo para trás.
- Manda ai. -olhou para o próprio tênis.
- Porque tu estava triste a primeira vez que foi ao bar? E porque começou a frequentar lá todos os dias? -olhei pra ele.
- Não era só uma pergunta? -risos.
- Ah, é mesmo foram duas, foi mal. -ri também.
- Não, tudo bem! Ah aquele dia eu tinha tomado um pé na bunda da minha ex-namorada, ela em trocou por um riquinho idiota, fazer o que né. -parece ter ficado chateado.
- Poxa, foi mal, não queria te fazer lembrar disso.
- Sem problemas, chegamos.
O porteiro abriu o portão e a gente entrou, pegamos o elevador e descemos no decimo quinto andar. Depois entramos no apartamento 53 se eu não me engano.
- Welcome to the jungle! -gritou ele.
Eu apenas ri e entrei toda desconfiada, ele falou para mim sentar no sofá, enquanto pegava coca-cola para gente. Já foi logo ligando o playstation 3 e colocando o need for spead.
- Eu sou bom nisso hein. -sorriu.
- Vamos ver então! -sorri também.
Eu escolhi uma lamborghini e ele um porsche. Eu fiquei com o player 1 por incrível que pareça e ainda consegui o primeiro lugar, até a segunda volta quando aquele idiota bateu no meu carro fazendo eu rodar na pista.
- Idiota! -olhei para ele e sorri.
- Achou que ia ser tão fácil assim. - ele olhou para mim e sorriu.
Eu senti uma coisa estranha, nos olhamos e nos encaramos por alguns segundos. Tempo bastante para desconcertar os dois, fazendo assim eu chegar em terceiro e ele em quarto. Ficamos por ali por algum tempo, jogando outras coisas, gta, guitar hero e etc. Ele decidiu tomar banho e mandou eu esperar para ele fazer alguma coisa para que eu pudesse comer, depois ia me levar em casa. Sentei no sofá escutando musica no meu celular e acabei apagando por lá mesmo. Acordei no outro dia deitada em uma cama, com a luz do sol no meu rosto. Em um quarto que não era meu, logo ouvi o barulho da porta se abrindo.
- Bom dia dorminhoca! -veio ele com um enorme sorriso.
- Bom dia, como eu vim parar aqui? -coçava os olhos enquanto falava.
- Eu sai do banheiro e vi você dormindo, uma graça por sinal -ele riu- ai eu te trouxe para minha cama e dormi lá pelo sofá.
- Você costuma fazer isso com todas as garotas?
- Não, só com aquelas que escutam AC/DC, jogam video-game e me chamam de idiota sorrindo. Quer dizer, nenhuma.
- Hein? Como sabe que escuto AC/DC?
- Porque tu dormiu com os fones de ouvido que estavam tocando AC/DC.
- Ah sim. Tu ainda não me respondeu porque começou a frequentar o bar todos os dias.
- Não ficou meio obvio? Por tua causa.
- Idiota. -falei sorrindo.
- Quer torradas? -subiu um cheiro de queimado- É torradas queimadas. -ele riu.
- Vem você de acompanhamento? -eu ri timidamente. (ultimo-cigarro)



